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Câncer de mama responde por 1 entre 4 tumores em mulheres

A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê um aumento superior a 40% na incidência e mortalidade pela doença até 2040
10/10/2021 às 07h44
Câncer de mama responde por 1 entre 4 tumores em mulheres (Divulgação)

São Paulo - Com mais de 2 milhões de novos casos anuais, o câncer de mama é, depois dos tumores malignos de pele não-melanoma, o câncer mais comum entre as mulheres e a quinta maior causa de morte por câncer no mundo. São registrados 626 mil óbitos/ano, segundo o IARC, braço de pesquisa do câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS) 1. No Brasil, o cenário é semelhante. A estimativa para 2021 é de 66 mil novos casos de câncer de mama no país, representando 29% de todos os tumores no sexo feminino. É um número de casos superior à soma da incidência entre as mulheres de câncer de pulmão, colo do útero, colorretal e tireoide2.

A Sociedade Brasileira de Patologia, em alusão ao Outubro Rosa – mês de conscientização mundial sobre câncer de mama - chama a atenção da população para a importância do diagnóstico precoce e assertivo de cada subtipo desta doença, que poderá ter um aumento exponencial de novos casos nos próximos anos. Uma ferramenta do IARC/OMS, que leva em conta mudanças demográficas e perfil da doença para avaliar a incidência de câncer e carga de mortalidade em todo o mundo, prevê que no ano de 2040 a incidência de novos casos/ano de câncer de mama ultrapasse a marca de 3 milhões e o número de mortes salte dos cerca de 600 mil para quase 1 milhão3.

Embora o câncer de mama não seja uma exclusividade do sexo feminino - ocorre 1 caso em homens para cada 100 em mulheres4 - o maior risco para desenvolver câncer de mama, portanto, é ser mulher. Uma análise da American Cancer Society, mostra que as mulheres têm um risco médio de 12% de receber o diagnóstico da doença ao longo da vida5.

Tipos

O câncer de mama não é único. Existem diferentes tipos da doença e são as características específicas de cada um, juntamente com o perfil de cada paciente, que determinam o tipo de tratamento mais adequado em cada caso. Conforme explica a médica patologista da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Marina De Brot Andrade, o tipo mais comum de câncer de mama é o carcinoma.

O carcinoma de mama é dividido em “in situ” e invasivo. O carcinoma “in situ” tem origem dentro do ducto mamário e não ultrapassa a sua parede, não invadindo o estroma da mama e, por isso, não tem a capacidade de disseminar para outros órgãos e estruturas (metástase). A taxa de cura nestes casos supera os 90%.

Outro tipo é o carcinoma invasivo, que também se origina no ducto. Porém, esse tipo invade o estroma mamário e pode se disseminar para outros órgãos (metástases). Os dois tipos mais comuns de carcinomas invasivos são o carcinoma ductal invasivo, seguido pelo carcinoma lobular invasivo. Além desses, existem alguns outros carcinomas que são menos comuns: carcinoma tubular, carcinoma cribriforme, carcinoma metaplásico, carcinoma micropapilar, carcinoma adenóide cístico, entre outros.

Questão hormonal

As mamas são glândulas que se formam na adolescência (puberdade). São altamente sensíveis ao estímulo hormonal, principalmente do estrógeno, um hormônio que, embora presente nos homens, tem uma produção que se dá principalmente pelos ovários, sendo assim predominantemente feminino. O fato de 99% dos tumores de mama acometer as mulheres, levantou a hipótese de que estes hormônios atuam no processo de desenvolvimento da doença. Entre 60% e 80% dos casos, o câncer de mama é estimulado pelos hormônios femininos6.

Tanto o estrógeno quanto a progesterona, atuam no tecido mamário, ligando-se com moléculas situadas dentro das células, conhecidas como receptores. Esses receptores têm o papel de controlar a multiplicação celular, mas, com a interferência hormonal, geram a multiplicação desordenada. Além dos tumores que são receptores de estrógeno e progesterona, há também os casos HER-2 positivos e os triplo-negativos (que não negativos para estrógeno, progesterona e HER-2). Também se avalia o índice de proliferação celular (Ki67)7.

Dentre os tipos morfológicos de carcinomas da mama há, portanto, uma subdivisão relacionada ao tipo molecular do tumor. Os principais grupos moleculares dos carcinomas mamários são: luminal A, luminal B, superexpressor de HER2 e triplo negativo, que dependem de como os quatro marcadores citados acima se apresentam: receptor de estrógeno, receptor de progesterona, índice de proliferação celular (Ki67) e o oncogene HER2.

Esses diagnósticos só podem ser afirmados após a análise do médico patologista, que avaliará todos os aspectos microscópicos das células para determinar a qual categoria a lesão pertence. Assim, o diagnóstico anatomopatológico correto é fundamental na condução do tratamento e para o conhecimento da evolução da doença. Ele é feito através da análise de fragmentos retirados da mama por biópsia ou por cirurgia. “É no laudo anatomopatológico que o câncer de mama é classificado pelo patologista em tipo morfológico, tamanho do tumor, grau de atipia, perfil molecular, etc. Todas essas informações são essenciais para determinar a conduta terapêutica mais eficaz para cada paciente”, ressalta a médica patologista, Marina De Brot, da SBP e do Departamento de Anatomia Patológica do A.C.Camargo Cancer Center.

Medicina de precisão

O melhor entendimento dos diferentes perfis de câncer de mama propicia a medicina de precisão, que tem o potencial de oferecer tratamentos menos invasivos, com menor toxidade e, desta forma, ajudar na redução das taxas de mortalidade e melhora da qualidade de vida das pacientes. A SBP ressalta que o grande desafio do médico patologista e de todos os envolvidos no cuidado interdisciplinar está na heterogeneidade da doença.

De acordo com a entidade, saber de qual tumor se está falando, em cada caso, ajuda a se oferecer a melhor forma de tratamento. Além disso, é essencial haver acesso a estas terapias, tanto no SUS quanto na Saúde Suplementar. As principais modalidades terapêuticas preconizadas para câncer de mama, cuja indicação é feita caso a caso, são cirurgia, radioterapia, hormonioterapia, radioterapia intraoperatória e tratamento sistêmico (quimioterapia e terapias-alvo imunoterapia).

Como prevenir

Quando o assunto é prevenção do câncer de mama vale diferenciar entre fatores modificáveis e não-modificáveis. Identificar cada um deles é importante para conduzir as pacientes para a prevenção primária e secundária.

Prevenção Primária

A prevenção primária consiste em intervir nos fatores modificáveis, capazes de reduzir o risco da doença se desenvolver:

- Praticar atividade física. Mulheres sedentárias têm maior risco.

- Ter níveis ideias de IMC (peso/altura). Estar acima do peso ou obesa após a menopausa aumenta o risco em relação às mulheres com peso adequado. É recomendável seguir uma dieta equilibrada, que inclua frutas e hortaliças.

- Não fazer terapia hormonal sem indicação médica. Algumas formas de terapia de reposição hormonal (aquelas que incluem estrogênio e progesterona) tomadas durante a menopausa, podem aumentar o risco de câncer de mama quando feitas por mais de cinco anos. A mesma orientação é válida em relação aos contraceptivos orais.

- Ao ter filhos, amamentar. As mulheres com história reprodutiva, principalmente com a primeira gravidez antes dos 30 anos, têm menor risco quando comparado as mulheres nulíparas (que não geraram um bebê). Ao gerar um filho, é recomendável amamentar, pois o aleitamento também é redutor de risco de câncer de mama.

- Não beber em excesso. O risco de uma mulher desenvolver câncer de mama aumenta conforme a quantidade de bebida alcoólica que ela ingere.

- Não fumar. Embora o cigarro e outras formas de tabagismo sejam a principal causa de câncer, principalmente de pulmão, não há evidência de sua ligação com o desenvolvimento de câncer de mama.

Prevenção secundária

O exame mais indicado para prevenção secundária (diagnóstico precoce) de câncer de mama, é a mamografia, que, segunda a Sociedade Brasileira de Patologia, deve ser feita a partir dos 40 anos nas mulheres sem sintomas. Ao contrário do exame físico, a mamografia é capaz de detectar lesões ainda não palpáveis. O Ministério da Saúde recomenda que a mamografia de rastreamento seja realizada nas mulheres entre 50 e 69 anos, com intervalos em até dois anos. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) recomenda a mamografia anual para as mulheres a partir dos 40 anos.

Como alguns fatores de risco não são modificáveis, é importante que se promova a prevenção secundária. Esses fatores, segundo o CDC, são:

Envelhecimento - O risco de câncer de mama aumenta com a idade. A maioria dos cânceres de mama é diagnosticada após os 50 anos.

História pessoal de câncer de mama - Mulheres que tiveram câncer de mama são mais propensas a ter câncer de mama pela segunda vez (recidiva). Algumas doenças não-cancerígenas da mama, como hiperplasia atípica ou carcinoma lobular in situ, também estão associadas a um maior risco de contrair câncer de mama.

Hereditariedade – Todo câncer é genético (células que se multiplicam de forma desordenada), mas entre 5% a 10% dos casos, a doença está associada com alterações genéticas que foram herdadas. São mutações em genes como BRCA1 e BRCA2. Em linhas gerais, o risco de a mulher desenvolver câncer de mama é maior se ela tiver mãe, irmã ou filha (parente de primeiro grau) ou vários membros da família do lado da mãe ou do pai da família, que tiveram câncer de mama. Quando identificado esse perfil, a mulher pode ser encaminhada a um geneticista, que poderá encaminhá-la para um teste genético para investigação de uma possível mutação hereditária.

História reprodutiva - A menarca precoce (menstruação antes dos 12 anos) e menopausa tardia (fim do ciclo de menstruação após os 55 anos) expõem as mulheres a hormônios por mais tempo, aumentando o risco de ter câncer de mama.

Mamas densas - Algumas mulheres têm mais tecido conjuntivo que tecido adiposo, o que às vezes dificulta a visualização de tumores em uma mamografia. É recomendável associar outros exames, como o ultrassom.

Radioterapia prévia - Mulheres que receberam radioterapia no peito ou nos seios (como no tratamento do linfoma de Hodgkin) antes dos 30 anos de idade, têm um risco maior de desenvolver câncer de mama ao longo da vida.

Sintomas

Os sintomas do câncer de mama variam de pessoa para pessoa e não há uma definição exata de como é um nódulo ou massa. É recomendado que a mulher se familiarize com os seios, para que saiba como é a aparência “normal”. Se notar alguma alteração, é importante informar ao médico. Por sua vez, muitos cânceres de mama são encontrados por mamografia antes que qualquer sintoma apareça ou seja palpável. Os principais sintomas do câncer de mama são:

- Nódulo único endurecido.

- Irritação ou abaulamento de uma parte da mama.

- Inchaço de toda ou parte de uma mama (mesmo que não se sinta um nódulo).

- Edema (inchaço) da pele.

- Eritema (vermelhidão) na pele.

- Inversão do mamilo.

- Sensação de massa ou nódulo em uma das mamas.

- Sensação de nódulo aumentado na axila.

- Espessamento ou retração da pele ou do mamilo.

- Secreção sanguinolenta ou serosa pelos mamilos.

- Inchaço do braço.

- Dor na mama ou mamilo.

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