Economia | No Brasil

Cadeia da construção gera 66 empregos a cada US $1 milhão investidos

O país fica à frente de Colômbia (61) e México (43) na América Latina, mas atrás do Peru (69); maior resultado foi obtido pela Índia, com 182 empregos gerados
10/10/2021 às 07h33
Cadeia da construção gera 66 empregos a cada US $1 milhão investidos (De Jesus / O ESTADO)

Rio de Janeiro - A indústria da construção, liderada pela construção de moradias, é uma importante fonte de emprego que muitas vezes é esquecida nas economias de mercado emergentes, de acordo com um relatório inédito divulgado pela Habitat para Humanidade, por ocasião do Dia Mundial do Habitat.

Cada US $ 1 milhão investido na cadeia construção cria uma média de 97 empregos em mercados emergentes, concluíram economistas da Universidade da Pensilvânia, da Universidade da Califórnia do Sul e da Universidade de Washington no relatório do Centro de Inovação Terwilliger da Habitat para Humanidade Internacional. No Brasil, a cada US $ 1 milhão investido, são gerados 66 empregos, predominantemente entre a população com menos escolaridade. O país fica à frente de Colômbia (61) e México (43) na América Latina, mas atrás do Peru (69). O maior resultado foi obtido pela Índia, com 182 empregos gerados.

Essa média global é comparada a 81 empregos por milhão investidos na produção agrícola e 96 empregos por milhão investidos em produtos do setor de hospedagem e alimentação, de acordo com o relatório, que enfocou nove países: Brasil, Colômbia, Índia, Indonésia, México, Peru, Filipinas, África do Sul e Uganda.

“Investir em construção residencial representa uma vantagem potencial nos mercados emergentes porque cria muitos empregos localmente, ajuda a fechar lacunas persistentes em moradias populares e estimula a economia em geral”, disse Patrick Kelley, vice-presidente do Centro de Inovação Terwilliger da Habitat para a Humanidade. “Essas descobertas são de vital importância para os países de baixa e média renda que estão decidindo quais áreas priorizar enquanto trabalham para reconstruir suas economias enfraquecidas pela pandemia COVID-19; em particular, em um mundo onde 1,6 bilhão de pessoas ainda carecem de moradias dignas”.

O relatório, intitulado “A Ladder Up: The construction sector’s role in creating jobs and rebuilding emerging market economies”, também apresenta evidências de que muitos desses empregos têm como alvo trabalhadores com níveis mais baixos de educação formal. Os pesquisadores descobriram que os empregos no setor de construção são relativamente bem pagos em comparação com outras opções para trabalhadores com nível educacional limitado.

O relatório também observa que os trabalhadores do setor de construção em mercados emergentes muitas vezes trabalham fora dos canais regulamentados e formais, portanto, o emprego informal na construção é responsável por 50% na África do Sul, em comparação com mais de 90% em países como Índia, Indonésia e Uganda. A construção residencial domina o setor; por exemplo, no Brasil, Colômbia e México, a construção residencial representa mais de 80% da construção total de edifícios.

Os pesquisadores também concluíram que as medidas para melhorar as condições de trabalho e o treinamento prático dos trabalhadores da construção podem ajudar as áreas urbanas, incluindo as mais afetadas pela pandemia, a se desenvolver de forma mais sustentável e equitativa.

A situação da moradia digna no Brasil é um dos entraves para o pleno acesso a direitos da população. O país tem um déficit habitacional de 5,8 milhões de moradias e cerca de 25 milhões de residências inadequadas, segundo a Fundação João Pinheiro.

Em meio à pandemia, a Habitat Brasil investiu R$ 4,7 milhões em comunidades do país, realizando obras de melhorias habitacionais. Em todos os projetos, são comprados materiais de construção de empreendimentos locais e a contratação de mão de obra ocorre na comunidade, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento econômico local. Durante o período de pandemia, de março de 2020 a julho de 2021, esse valor foi de R$4.702.409,35.

“Neste período tão crítico que as comunidades estão enfrentando por causa da Covid-19, a Habitat Brasil injetou diretamente R$ 4,7 milhões de reais em comunidades de todo país. Todos os materiais de construção que usamos e os profissionais da construção como pedreiros, encanadores, eletricistas que contratamos são oriundos das comunidades onde atuamos, fazendo com que esses recursos injetados garantam renda e movimentem de maneira expressiva a economia local. Além disso, cerca de R$ 1 milhão foi movimentado por meio da contratação de profissional técnico (arquitetos, engenheiros etc) para que as obras pudessem ser executadas com qualidade, resolvendo as precariedades habitacionais que atingiam as famílias”, Mário Vieira, Diretor Executivo da Habitat para a Humanidade Brasil.

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Sobre a Habitat para a Humanidade Brasil

Habitat para a Humanidade Brasil é uma organização da sociedade civil que, desde 1992, atua para combater as desigualdades e garantir que pessoas em condições de pobreza tenham um lugar digno para viver. Presente em mais de 70 países, a organização promove incidência em políticas públicas pelo direito à cidade e soluções de acesso à moradia, à água e ao saneamento, em articulação com diversos setores e comunidades. Para saber mais, acesse: https://habitatbrasil.org.br.

Sobre o Centro Terwilliger de inovação em moradia

É uma unidade da Habitat for Humanity International que trabalha com participantes do mercado imobiliário para expandir serviços, produtos e financiamentos baseados no mercado que atendam aos clientes, para que as famílias possam melhorar suas casas de forma mais eficaz e eficiente. O objetivo do Centro Terwilliger é tornar os mercados imobiliários mais eficazes para as pessoas que precisam de moradia e, assim, melhorar a qualidade de vida das famílias de baixa renda. Para obter mais informações, visite habitat.org/tcis.

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