Cidades | Sem água nas torneiras

Reservatório do Batatã tem nível normal, mas falta água nos bairros

Moradores do Caratatiua e Vinhais continuam sofrendo com a falta de água nas torneiras; Caema alega que está realizando manutenção preventiva
Kethlen Mata/ O Estado08/10/2021
Reservatório do Batatã tem nível normal, mas falta água nos bairrosRégua de graduação de água do Batatã possui 10 metros de profundidade e atualmente, a água cobre a marcação 6,5 metros (Paulo Soares / O Estado)

São Luís - Vários bairros de São Luís têm sofrido com falta de água desde o mês passado. Em alguns bairros o serviço de abastecimento normaliza, mas depois volta a falhar. No Caratatiua, por exemplo, os moradores já estão há mais de 20 dias sem água nas torneiras. Diante da situação, O Estado resolveu visitar ao Reservatório do Batatã – represa que abastece 20% de toda a cidade –, situada dentro do Parque Estadual do Bacanga.

O motivo da visita ao reservatório seu deu pela curiosidade quanto ao nível da água no local, já que a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) alega, há quase um mês que o Sistema de Abastecimento de Água (SAA) de São Luís está passando por um processo de manutenção preventiva, no entanto, a falta de água persiste.
Visto que o Brasil vive a pior crise hídrica registrada nos últimos 91 anos, com escassez de chuvas, reservatórios em níveis baixos e maior demanda por energia em razão da reativação da economia para patamares pré-pandemia em vários setores,

O Estado buscou verificar se o problema estaria na represa, mas não estava. No local, há uma grande régua na vertical – usada para medir o nível da água – e mesmo que o reservatório já tenha sido mais cheio em anos anteriores, sua situação atual é de longe tranquila. A régua possui 10 metros, atualmente, a água se encontra na marcação 6,5 metros.

Falta de água no Caratatiua
Um dos bairros mais atingidos pela falta de água nos últimos dias, sem dúvidas, é o Caratatiua. Há 20 dias sem uma gota de água nas torneiras, a dona de casa Patrícia Costa recorre ao caminhão-pipa da prefeitura para realizar tarefas básicas do cotidiano, como dar banho nos três filhos e preparar a alimentação. Segundo ela, a Caema esteve no local para identificar o problema, mas que não lhe foi informado qual seria.

“Aqui na Travessa da Palmeira [Caratatiua] estamos há mais de duas semanas sofrendo com isso, já perdemos a esperança. E sei que estão faltando em outros bairros também, na Vila Palmeira, por exemplo. Eles vêm, olham e vão embora, resolver que é bom nada”, relatou.

O porteiro Marcos Almeida, 24, também mora na Travessa da Palmeira e reclama do problema. Ele conta que pessoas de outro bairros já estão ajudando. “Tem um pessoal com um carro que traz água do Turu para cá”, destacou. Ele frisa que está impossível lavar as roupas, fazer a alimentação e manter os cuidados básicos de higiene, tudo isso pela falta de água. Quanto à Caema, Marcos Almeida relata o mesmo que Patrícia Costa.

“Eles fizeram uma visita há mais ou menos três semanas. Só não falam qual é o problema. Outras ruas do bairro também estão passando por isso, a Rua Gonçalves Dias também”, ressalta.

Falta de água no Vinhais
No último dia 25 de setembro, O Estado fez uma reportagem sobre a falta de água no bairro Vinhais. Na época, o professor Gabriel de Araújo Oliveira, residente na Rua 39, estava há cinco dias sem água. Procurado novamente pela reportagem, Gabriel continua em uma situação não muito diferente.

“Há uma semana que estou sem água na caixa, apenas na torneira que vem da rua. Hoje a água veio, mas já acabou, encheu só um pouco da minha caixa. Estou sem lavar roupa de cama há mais de 3 semanas”, confessa.

A Caema continua respondendo o de sempre – quando o professor entra em contato com o serviço: “estamos resolvendo a situação”.

SAIBA MAIS

Reserva do Batatã

Foi construído em 1964 pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS). Possui comprimento de 465 metros e altura máxima de 17 metros, podendo acumular 4,6 milhões de metros cúbicos de água. Recebe água do rio Batatã (afluente do rio Bacanga), do rio da Prata (afluente do rio Batatã, após a represa, tendo suas águas bombeadas para ela), tendo também recebido do rio Maracanã, no passado.

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