Editorial | Opinião

Não é hora de relaxar

07/10/2021

Com o avanço da vacinação no Brasil, crescem, a cada dia, iniciativas de gestores estaduais e municipais de liberarem a exigência do uso de máscaras – item considerado essencial como proteção contra o risco de contaminação da Covid-19. Entretanto, especialistas se manifestam contra o “liberou geral”, por considerarem que a pandemia ainda é uma séria ameaça.

É bem verdade que a cada dia aumenta o relaxamento do uso desse acessório de segurança, seja no comércio – exceção aos supermercados e shoppings – bares e restaurantes e em locais públicos. Ao que parece está havendo uma precipitação por parte da população que acredita que a pandemia está controlada, com o registro da queda de óbitos e internações na rede pública e particular do país.

A máscara e o álcool geral, que se tornaram símbolos na luta contra a Covid-19, quase não são mais procurados em farmácias e lojas de São Luís, conforme revelam comerciantes. A procura por esses itens reduziu significativamente nos últimos meses e, especialmente, em comparação com o ano passado. Essa situação preocupa porque, apesar da vacinação acelerada e da melhora nos indicadores da pandemia, os cuidados individuais estão sendo deixados de lado pela população.

A pergunta que muitos fazem: Por que continuar usando máscaras se a pandemia está mais controlada e boa parcela da população está imunizada, total ou parcialmente. A resposta é simples. Primeiro, e principalmente, porque nem mesmo as vacinas garantem 100% de proteção contra a Covid-19. Elas reduzem, e muito, a chance de contaminação, o agravamento do quadro quando a pessoa é infectada e, principalmente, o risco de morte. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, não garantem imunidade total. Segundo, porque as máscaras ampliam o grau de proteção em locais onde ainda existe a chamada transmissão comunitária, que é o caso do Brasil. Transmissão comunitária é quando você é infectado e não tem como saber de quem contraiu o vírus.

Uma das principais conclusões de um estudo é de que o uso de máscaras reduz em até 11,2% o risco de contrair o vírus. Pode parecer pouco, mas não é. Essa redução foi obtida com apenas 42% do grupo estimado de fato usando o equipamento de proteção — antes das campanhas educativas, eram apenas 13% os adeptos à máscara. Ou seja, se 100% das pessoas usavam o equipamento, a proteção coletiva seria muito maior.

Na capital maranhense não há, até o momento, posicionamento dos gestores sobre a flexibilização do uso de máscaras, a exemplo do que já ocorre no Rio de Janeiro e São Paulo, cujas datas já estão sendo definidas. O médico Antônio Carlos Bandeira, diretor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), se manifesta a favor de flexibilizar o uso de máscara em ambientes abertos e grandes, neste último, como um shopping center, onde os corredores são largos, por exemplo, e manter a obrigatoriedade em locais fechados e menores, como nas empresas e repartições, até que chegue a fase terminal da pandemia.

Bandeira entende que a flexibilização é o caminho natural quando se tem imunização larga, taxas bastante confortáveis e diminuição das taxas de mortalidade. Segundo ele, é o momento onde há uma segurança cada vez maior para flexibilizar

Já o infectologista Hélio Bacha, consultor da SBI, discorda. Para o médico, ainda não é o momento para flexibilizar o uso de máscaras e adverte que a capacidade de transmissão da variante delta é muito maior do que a gamma e o uso de máscaras nesta condição se torna ainda mais necessário. E lembra que mais de 300 óbitos por dia ainda é um número muito alto.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o governo federal só firmará um novo contrato com o Instituto Butantan para a compra de doses da CoronaVac quando a vacina tiver registro definitivo na Anvisa. Atualmente, quatro imunizantes estão no Programa Nacional de Imunizações: Pfizer-BioNtech, Oxford-AstraZeneca, Janssen e CoronaVac. No entanto, somente as duas primeiras possuem o registro definitivo, as outras contam com autorização emergencial.


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