Editorial | Opinião

A falta de saneamento

06/10/2021

Não chega a ser novidade a informação de que grande parte dos brasileiros ainda não têm acesso a saneamento básico, incluindo acesso à água potável e à rede de coleta de esgoto, é um cenário extremamente preocupante ver que os mais privados dos serviços são justamente as pessoas abaixo da linha da pobreza, fato que se repete ao longo dos anos. Até mesmo o atendimento irregular de água é muito mais comum nas casas dos mais pobres, o que também aumenta a vulnerabilidade pelo fato daquela família não receber água encanada 24 horas por dia e 7 dias por semana.

Pois bem, um estudo divulgado ontem, 5, pelo Instituto Brasil aponta que a falta de saneamento básico gerou mais de 270 mil internações no Brasil em 2019. O número representa um aumento de 12% em relação ao ano anterior, que teve pouco mais de 240 mil internações. É a primeira vez em 10 anos que uma alta ocorre. Em 2020, porém, em um ano marcado pela pandemia do novo coronavírus, dados ainda preliminares voltam a apontar uma queda: 174 mil internações.


O estudo destaca ainda que as internações em 2019 geraram um gasto de R$ 108 milhões para o país. Também resultaram em mais de 2,7 mil mortes – o que significa que, em média, sete pessoas morreram por dia no Brasil em 2019 por causa da falta de acesso à água tratada e esgoto.


Em 2020, houve ao menos 1,9 mil mortes. Ainda assim, uma média de cinco pessoas mortas por dia no Brasil. As hospitalizações pela falta de saneamento são causadas por doenças de veiculação hídrica, que, como o nome já indica, são doenças em que a água é um importante veículo de transmissão, como diarreias, malária, dengue, leptospirose, entre outras.


O levantamento foi feito a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e do DataSus, portal do Ministério da Saúde que acompanha os registros de internações, óbitos e ocorrências relacionadas à saúde da população brasileira.


A falta de saneamento é mais evidente no Norte, onde somente 12% da população conta com coleta de esgoto. O Norte teve 42 mil internações em 2019, número mais baixo que as hospitalizações do Nordeste (113,8 mil) e do Sudeste (61,8 mil), mas que representam uma incidência mais alta, já que a população no Norte é muito menor que nessas outras regiões. A taxa de internação no Norte foi de 23 casos por 10 mil habitantes, muito acima da média nacional, de 13, e das outras regiões.


Em números absolutos, o Amapá aparece como a unidade da Federação com menos internações por doenças de veiculação hídrica em 2019, com 861, contra 38,2 mil no Maranhão, que teve o maior número de internações. Ultrapassam a marca de 20 mil internações gerais por doenças de veiculação hídrica os estados da Bahia (23,3 mil), de Minas Gerais (24,7 mil), São Paulo (26 mil) e do Pará (28 mil).


Em relação à taxa de internações por 10 mil habitantes, o Maranhão se mantém como o estado com maiores casos, com 54,4 internados a cada 10 mil, seguido de Pará com 32,62, e Piauí com 29,64. O Rio de Janeiro teve a menor taxa de internações por 10 mil habitantes, com 2,84, seguido por São Paulo com 5,67 e o Rio Grande do Sul com 7,14.


O estudo também traz dados preliminares de 2020, ano em que a pandemia da Covid-19 começou. A pandemia trouxe mais atenção para hábitos sanitários e de higienização, bem como causou uma sobrecarga em hospitais e unidades de saúde de todo o país.


Os números preliminares mostram que o Brasil teve 174 mil internações por doenças de veiculação hídrica em 2020. Isso representaria redução de 35% em relação a 2019. Os óbitos em 2020 estão estimados em 1,9 mil, uma redução de 30%. O Trata Brasil, porém, faz um alerta: os dados precisam ser analisados com cuidado pelas instituições médicas, pois a queda pode estar relacionada ao afastamento das pessoas dos hospitais por medo de contaminação da Covid.


A verdade é que em pleno século 21, num país que está entre as 15 maiores economias do mundo, muita gente ainda morre por diarreia, cólera, esquistossomos e é gravíssimo. O Brasil não deveria mais ter esse tipo de mortalidade por doenças tão antigas.

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