Editorial

Prevaleceu o bom senso

24/09/2021

Sem argumentos convincentes, o Governo Federal recuou e decidiu liberar a vacinação contra a Covid-19 para adolescentes em todo o país. A pressão foi grande em diversos estados, que, inclusive, já estavam vacinando jovens dessa faixa etária. Os benefícios da vacinação são maiores que os eventuais riscos de eventos adversos. A decisão aconteceu após um comitê formado por representantes do Ministério da Saúde e da Anvisa confirmar que a morte de uma adolescente em São Paulo não teve relação com a vacina.

Na semana passada, a pasta, atendendo determinação do presidente Jair Bolsonaro, restringiu a imunização a adolescentes de 12 a 17 anos que apresentem deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade, apesar da autorização pela Anvisa do uso da Vacina Cominarty (Pfizer/Biontech).

A alteração no posicionamento do governo está em uma nota técnica de mais de vinte páginas que foi publicada na quarta-feira, 22. É importante lembrar que a vacinação de adolescentes é essencial para a retomada segura das aulas presenciais em todo o país, especialmente em escolas públicas situadas nos rincões mais remotos do Brasil, onde não há a possibilidade de realização de aulas online.

No país, 54 milhões de pessoas fazem parte da geração Z, a fatia da população que tem entre 13 e 25 anos de idade. E dias atrás, os nativos digitais começaram a ser vacinados em estados da Federação. Tudo bem que em algumas capitais brasileiras, a fila travou e não fluiu. No entanto, desde o fim do mês de agosto a fila está andando, atingindo todas as idades. A meta do governo é vacinar todos eles ao lado dos idosos e das pessoas com comorbidades, que foram os primeiros a tomarem o imunizante no país.

Enquanto a imunização brasileira contra a Covid-19 avança — por volta de 67% da população já tomou ao menos uma dose — as outras vacinas previstas no Programa Nacional de Imunizações (PNI) enfrentam maior dificuldade de chegar aos braços dos grupos elegíveis.

Os dados mais amplos disponíveis no portal do Ministério da Saúde mostram que praticamente todas as vacinas disponibilizadas pelo PNI tiveram importante queda de adesão em 2020 — entram como exceção a DTP (difteria, tétano e coqueluche), a pentavalente (difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e contra a bactéria haemophilus influenzae tipo B, que desencadeia infecções no nariz, meninge e na garganta), além da hepatite B, dada após os 30 dias de vida.

Ainda que, é claro, a pandemia e suas necessárias quarentenas tenham causado impacto na decisão da população em buscar as doses, o abandono da vacinação por parte dos brasileiros figura como tendência em gradual aumento desde 2016. E que não aparenta estar próxima de ser solucionada, dizem os especialistas em imunização.

Para entender o cenário deste ano, basta observar a adesão à vacina do vírus da gripe (influenza), oferecida a grupos prioritários no Brasil. A campanha foi encerrada no mês de agosto e teve 67% da população elegível vacinada. A meta era de aplicar doses em 90% da população elegível, contabilizada em 79,7 milhões de brasileiros.

Dados iniciais deste 2021 indicam que a vacinação segue longe do patamar esperado entre 90% e 95% de cobertura estipulada pelo Ministério da Saúde, para as vacinas disponíveis no PNI. Embora a contabilização ainda seja preliminar e possa sofrer com demora de atualização por parte dos estados, além de imprecisões, nenhum dos indicadores de cobertura de vacinas até aqui é superior aos de 2020, o pior ano da história recente para imunização no Brasil.

Se a pólio, temida por todos os gestores de saúde, segue controlada, o mesmo não é possível dizer do sarampo, que voltou a circular no país. Em 2020, pelo menos 21 estados registraram a presença da doença. Trata-se de um cenário preocupante, porque pouco tempo antes, em 2016, o Brasil havia recebido o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A certificação, porém, foi retirada em 2019, devido a novos surtos da doença.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte