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Após 80 anos, Mercado Central de São Luís será reformado

Orçada em R$ 30 milhões, obra deve readequar condições de abastecimento e transformar lugar em ponto turístico; espaço merece atenção e cuidados
José Linhares Jr / O Estado18/09/2021

SÃO LUÍS - O mais antigo estabelecimento da rede de 30 mercados e feiras que abastecem São Luís é o Mercado Central de São Luís. Fundado em 1864, o lugar é um dos pontos tradicionais e pitorescos da cidade, onde são comercializados legumes, frutas, hortaliças, carnes, doces caseiros, bebidas regionais, artesanato, roupas, animais de estimação, produtos agrícolas, utensílios domésticos, alimentação, ervas medicinais e produtos que há muito tempo não são encontrados em outros lugares.

A diversidade de serviços e produtos também é retratada entre os frequentadores. Dados da Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento (Semapa), responsável pela administração do Mercado Central, mostram que mais de 20 mil pessoas frequentam o lugar semanalmente.

O mercado é procurado pela grande variedade de produtos, como frutas e bebidas regionais, doces caseiros, ervas, plantas medicinais, grãos, além de carnes, aves, peixes, mariscos, legumes, hortaliças, artesanato em palha, couro e madeira, gaiolas, vassouras, funis, entre outros.

Além das banquinhas, o Mercado Central é hoje um dos principais centros de armazéns do tipo secos & molhados. Típicos comércios do século XIX, esses armazéns vendem desde grãos in natura e a granel ou azeito “por litro”, até utensílios domésticos e de trabalho na lavoura, a grande maioria dos produtos de origem artesanal.

Trabalhando no Mercado Central há 55 anos, Antônio Pereira é hoje o mais antigo trabalhador em atividade no Mercado Central. “Comecei vendendo raspadinha com pão em 1966. De lá para cá, já tive vários negócios e hoje temos um açougue”, contou. “Aqui vem motorista de ônibus, policial, juiz, doméstica, promotor, deputado, vendedor ambulante. Aqui a gente vê todo dia de pessoa”, complementou o feirante.

História
Edificação do estilo Art Decó, o mercado foi construído no centro de São Luís em 1864, no espaço onde funcionou o antigo gasômetro, que abastecia os postes de iluminação pública do Centro.

O antigo mercado central foi demolido na administração do prefeito interventor Paulo Ramos. A obra se estendeu do fim década de 1930 até início da década de 1940. Na época, a cidade passou por um grande plano que proporcionaria mudanças no meio urbano de São Luís.

A demolição se deu, em grande parte, pelo programa sanitarista consolidado criado e idealizado pelo prefeito por Otacílio Saboya. O lugar era visto como impróprio para as atividades e com estrutura inadequada. Logo após a demolição, foi aberta a Avenida Magalhães de Almeida. Os empreendimentos são considerados a primeira tentativa de melhoramento da feição colonial de São Luís.

Durante algum tempo foi chamado de Mercado Novo, em razão da reconstrução. Ele ainda foi chamado de Largo do Açougue Velho, na década de 1940. Desde 1941 até hoje, apesar das mudanças no entorno e na onda de modernização urbana que foi iniciada no centro da cidade nos anos 1980, o Mercado Central não passou por nenhuma grande reforma ou intervenção de engenharia.

Para o feirante Antônio Pereira, apesar do caráter histórico, é preciso modernizar o mercado. “Muita gente reclama que com uma reforma pode perder as características. Mas, eu acho que a característica principal daqui é o sustento das pessoas. Muito mais importante que história é a comida no prato”, frisou.

O feirante mais antigo do lugar diz que já foi testemunha de muitas histórias de vida ao longo de mais de meio século trabalhando no lugar. “Vi essas banquinhas sustentando muita família, fazendo muito doutor, enriquecendo muita gente. Aqui estão as raízes de muita gente desta cidade”, apontou.

Atualmente, o Mercado Central conta com uma infraestrutura claudicante, que frequentemente causa pequenos acidentes e embaraços aos clientes que frequentam o lugar. Antônio Pereira relatou que há uma diminuição da clientela nos últimos tempos. Contudo, segundo o vendedor, esse fenômeno não poder ser creditado à degradação da infraestrutura.

“Com a abertura da Ceasa a movimentação diminuiu. Também teve a concorrência da Feira do João Paulo. Mas, para mim o principal foi quando proibiram os caminhões, que traziam produtos de fora, de estacionarem aqui perto. Isso foi um baque”, disse.

O feirante se refere a um passado distante em que a Avenida Magalhães de Almeida era um dos principais destinos de caminhões que traziam produtos importados de outros estados. Na época, o Mercado Central era o principal entreposto de produtos na cidade. Situação que mudou após a criação da Central Estadual de Abastecimento (Ceasa) e a proibição do trânsito de caminhões pesados no entorno do Mercado Central que tornava no trânsito no centro caótico.

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