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Oficina de Comunicação Comunitária em projeto na Ilha

Atualmente, a TV Quilombo se tornou a voz da comunidade, e conquistou o respeito de todos
28/08/2021
Oficina de Comunicação Comunitária em projeto na IlhaJuventude e os mais experientes da zona rural de São Luís participam da Oficina de Comunicação Comunitária (Divulgação)

São Luís - Uma aula nada convencional. Na área de reflorestamento do Rio dos Cachorros, zona rural de São Luís, a vontade da juventude e a experiência dos mais antigos se encontraram para, juntos, ecoarem a história de mais de 200 anos da região. Foi assim a segunda etapa da oficina de Comunicação Comunitária ministrada para moradores da Resex Tauá-Mirim que reúne comunidades como Cajueiro, Limoeiro, Porto Grande e Taim, Vila Maranhão e povoados da Ilha de Tauá-Mirim. O projeto é financiado pelo Fundo de Ações Urgentes para América Latina.

Na primeira atividade prática, o registro de uma conquista do Rio dos Cachorros (comunidade com mais de 350 famílias): conhecer a área de reflorestamento com árvores nativas e o Igarapé de Santa Rita, uma nascente que segundo Dona Máxima Maria, liderança comunitária, o riozinho resiste a poluição dos grandes empreendimentos que se instalaram há mais de 40 anos na região. “Meus avós diziam que as nascentes se mudam quando se sentem ameaçadas e para que retornem às suas origens é preciso fazer um ritual de retorno, mas Santa Rita é forte e o rio continua”, explicou.

Para a adolescente Nathany Santos, da comunidade do Taim, conhecer um lugar onde as pessoas plantaram árvores tão antigas e vê-las tão fortes e resistentes é muito animador. “É importante contarmos essas histórias sob o nosso olhar, nossa compressão. Traz muitas lições praticar técnicas de fotografia e vídeo conhecendo a história dos lugares”, disse.

TV Quilombo Rampa – troca de experiências

A conversa na Oficina de Comunicação Comunitária foi uma troca de saberes entre dois jovens inspiradores do Quilombo Rampa, em Vargem Grande, com a turma da Resex Tauá-Mirim e as jornalistas Franci Monteles e Yndara Vasques, da Inspirar Inovação & Comunicação.

Raimundo Quilombo e Wellita Cardoso, quilombolas e criadores da TV Quilombo Rampa, são inspiradores e mostraram para o mundo a realidade da comunidade em que vivem, por meio de muita persistência e criatividade. Assim surgiu a TV Quilombo, que tem quase três anos de história e já ganhou um prêmio do 1º Festival de Cinema Móvel de Brasília, na categoria Filmaê.

Com uma câmera feita de papelão, um tripé feito de bambu, um celular e muita história para contar, os jovens decidiram mostrar o dia a dia do Quilombo Rampa, com mais de 200 anos de história. No começo, o trabalho dos jovens era visto apenas como uma brincadeira, que relembrava os tempos de criança.

Mas atualmente, a TV Quilombo se tornou a voz da comunidade, e conquistou o respeito de todos. Hoje os jovens produzem os vídeos e divulgam nas redes sociais. Com o slogan “Essa história é para sempre”, a TV trouxe visibilidade e mostrou que apesar das limitações, realizar um sonho é sempre possível. “A quem cabe contar sua própria história, é quem vivencia. Foi assim que conquistamos o respeito da nossa própria comunidade e ecoamos para o mundo a ancestralidade, os costumes, a cultura, o dia a dia do nosso território”, enfatizou Raimundo. “Essencial é nos apropriarmos dos recursos e ferramentas de comunicação, mesmo que mínimas, mas são nossas assim como as nossas histórias”, complementou.

Sobre a Resx Tauá-Mirim

A terceira etapa da oficina de Comunicação Comunitária continua no próximo mês na comunidade do Taim, que integra a Resex Tauá-Mirim, que luta para ser reconhecida. A Resex compreende comunidades tradicionais da zona rural de São Luís, onde agricultores familiares, e especialmente as mulheres, se utilizam dos recursos naturais e de suas plantações como fonte de renda. O modo de vida garante também a manutenção da biodiversidade. A variedade de produtos também é comercializada e garante o sustento das famílias. É um local de reprodução de várias espécies marinhas, dentre elas o Peixe-Boi e o Mero, que estão ameaçados de extinção. Especificamente na região da Resex, são encontrados também o macaco-cuxiú, o guariba e o tamanduaí, todos ameaçados de extinção, segundo o Instituto Chico Mendes.

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