Cidades | Dia do Indígena

1.303 indígenas tiveram covid no Maranhão, com 44 óbitos

Às vésperas do Dia do Indígena, 19 de abril, O Estado conversou com a Secretaria de Direitos Humanos sobre ações para apoiar a população indígena e promover a segurança e vacinação
Bárbara Lauria / O Estado17/04/2021
1.303 indígenas tiveram covid no Maranhão, com 44 óbitosEm Barra do Corda, comunidade indígena é imunizada; em outros municípios equipes fizeram a vacinação (Divulgação)

São Luís - O Maranhão é o terceiro estado do Nordeste com maior população indígena. Possui 20 etnias, 573 aldeias e uma população de 43.151 pessoas, segundo o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI). E assim como em todo o país, a pandemia da Covid-19 também impactou essa comunidade, de forma indireta e direta, com o registro de casos da doença e óbitos, ocasionados pelo vírus. Próximo ao dia 19 de abril, data que celebra o Dia do Indígena, a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) traz informações sobre a vacinação para a comunidade.

De acordo com a Sedihpop e a Secretaria de Estado da Saúde (SES), até o dia 12 de abril, o estado já havia registrado 1.303 casos confirmados da Covid-19 na população indígena. Destes, 44 óbitos foram notificados. Um dos desafios, segundo a Sedihpop, foi manter os cuidados e evitar o aumento de contaminação nas aldeias.

Para cuidar da saúde dessas comunidades, a Secretaria trabalhou em parceria com o DSEI, que é a unidade gestora descentralizada do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). Trata-se de um modelo de organização de serviços – orientado para um espaço etno cultural dinâmico, geográfico, populacional e administrativo bem delimitado – que contempla um conjunto de atividades técnicas que se fundamentam em medidas racionalizadas e qualificadas de atenção à saúde. Além disso, promove a reordenação da rede de saúde e das práticas sanitárias por meio de atividades administrativo-gerenciais necessárias à prestação da assistência, com base no Controle Social.

O DSEI tem a responsabilidade de garantir a saúde indígena, incluindo a imunização deste público. Desde junho de 2020, a SES vem atuando em aldeias em conjunto com os profissionais do DSEI no combate à pandemia através da Força Estadual de Saúde (Fesma). Neste ano, o trabalho tem foco na imunização para melhorar a cobertura vacinal da campanha contra a Covid-19.

Desafios
Por ainda existirem algumas barreiras culturais que façam com que alguns povos tenham resistência em se imunizar, a secretaria vem pensado em ações com representantes das comunidades indígenas para incentivar a vacinação.

“Historicamente os povos indígenas possuem lembranças de drástica redução de sua população e em alguns casos até mesmo extinção de algumas etnias, resultado de relacionamento com a sociedade não indígena. Mas a principal barreira, vale destacar, tem sido a rede de mentiras e terror apresentada por negacionistas que se relacionam com algumas comunidades”, disse a secretaria em nota, enviada a O Estado.

Desde o início da imunização no estado, já foram realizadas escutas virtuais com representantes indígenas, os quais apresentaram uma série de dúvidas e receios advindos das aldeias. Com base nessas informações foi definida uma estratégia de trabalho que buscou priorizar a vacinação das principais lideranças das aldeias para encorajar os demais.

Também foram enviados profissionais de saúde diferentes dos que habitualmente já prestam o atendimento nestas localidades, através de equipes da Fesma, acompanhando os profissionais do DSEI e das Prefeituras. Essas equipes permaneceram após a vacinação para atendimentos em caso de eventuais reações. Houve ainda a veiculação de vídeos dos territórios já vacinados via whatsapp encorajando as comunidades faltantes.

Imunização
Uma das primeiras pessoas vacinadas contra a Covid-19 no Maranhão, no dia 18 de janeiro, a indígena da aldeia Arariboia, Fabiana Guajajara, que recebeu a dose da CoronaVac durante ato simbólico no Palácio dos Leões. Na ocasião, Após ser vacinada, a indígena Fabiana Guajajara agradeceu os profissionais de saúde, cantou uma canção na língua tupi e reforçou a importância de se vacinar contra a Covid-19. “Vacinar é preciso para continuar existindo”, disse, durante a cerimônia, em janeiro.

Atualmente, conforme a Sedihpop informou, por meio do Nassin (Núcleo de Assessoria Indígena), há 19.134 indígenas maiores de 18 anos, previstos no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Desses, já foram imunizados 9.483 indígenas (49,56%), de acordo com o DSEI/MA.

Ainda como forma de incentivar o restante da população, a SES tem realizado atividades educativas em saúde, com o fortalecimento da importância da vacina e desmistificando as informações sobre seus efeitos, bem como no combate às fake news. A SES também tem concentrado esforços na articulação com agentes do DSEI, a gestão municipal e as lideranças indígenas, levando vacinação e suporte do profissional médico às aldeias maranhenses.

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