Cidades | Pandemia

Ivermectina e Azitromicina têm alta demanda em SL

Procura pelos medicamentos na capital aumentou devido à segunda onda de transmissão da Covid-19, com falta de leitos em hospitais para tratamento
Evandro Júnior / O Estado10/03/2021 às 00h01
Ivermectina e Azitromicina têm alta demanda em SLMedicamento é considerado barato (Paulo Soares / O Estado)

São Luís - A segunda onda de transmissão do novo coronavírus em São Luís contribuiu para o aumento da procura por medicamentos como Ivermectina e Azitromicina nas farmácias da capital. Na primeira onda, os dois foram campeões de venda e chegaram a faltar nas prateleiras das drogarias, obrigando muita gente a encomendá-los em farmácias de manipulação. Apesar de não ter eficácia comprovada, a Ivermectina, por exemplo, tem alta aceitação.

De acordo com dados do Conselho Regional de Farmácia, em 2020 a busca por Ivermectina e Azitromicina cresceu mais de 200% em alguns estados. Agora, a demanda experimenta novo pico. Segundo a farmacêutica Mirelle Costa, que atende na Farmácia Socorrão, na Rua das Cajazeiras, a procura pelos dois cresceu em 25% no estabelecimento.

“Hoje mesmo, vendemos várias caixas. Os médicos, inclusive, estão receitando aos pacientes que já tiveram Covid-19 para tomarem a Ivermectina de 15 em 15 dias. Mas é importante lembrar que as pessoas só devem tomar durante o tratamento. Para o uso enquanto antiparasitário, capaz de combater vermes, parasitas e ácaros, o recomendado é tomar uma vez por ano”, explicou a farmacêutica.

Valores
Na Farmácia União, localizada na Rua do Norte, centro de São Luís, os vendedores informaram que a demanda pelos dois medicamentos também cresceu e, ainda, que o preço permanece, sendo a caixa de Ivermectina, com quatro comprimidos, vendida a R$ 26,00 e com duas a R$ 16,00. A caixa de Azitromicina com cinco custa R$ 25,00 e com três, R$ 16,00. Geralmente, segundo os vendedores, as pessoas procuram os dois medicamentos juntos, para um tratamento associado. Mas há que se ressaltar que a venda era maior na primeira onda de transmissão.

Os medicamentos fazem parte de um kit Covid, voltado ao suposto “tratamento precoce” da doença. No entanto, estudos científicos apontaram que essas substâncias não possuem nenhuma eficácia contra a Covid-19. Os estudos foram referendados por entidades médicas, de pesquisa e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, muitos médicos, mesmo contra as recomendações, continuam indicando as substâncias para o tratamento da doença.

A Ivermectina é um medicamento barato para uso veterinário e humano, usado contra parasitas, como sarna, oncocercose e piolhos. No entanto, embora um estudo australiano publicado em abril de 2020 tenha observado sua eficácia in vitro (laboratório) contra o vírus SARS-CoV-2, isso não foi demonstrado em humanos. Até o momento, os ensaios foram limitados e com muitos preconceitos. Além disso, muitas vezes, os tratamentos in vitro não podem ser traduzidos para humanos, especialmente porque as mesmas concentrações de drogas não podem ser administradas.

Considerado um dos medicamentos mais importantes do século 20, a Azitromicina é frequentemente usada no tratamento de infecções respiratórias ou sexualmente transmissíveis. Trata-se de um medicamento que faz parte do grupo dos antibióticos com efeito antibacteriano. Conhecida também como azitromicina di-hidratada, ela é definida como um macrólido de amplo espectro, isto é, atua contra muitas bactérias, incluindo a Bordetella pertussis, espécies de Legionella, Mycoplasma pneumoniae, Treponema pallidum, espécies de Chlamydia e do complexo Mycobacterium avium.

Covid-19
Conforme dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde no domingo (7), o Maranhão registrou 720 novos casos e 36 mortes por Covid-19. Dos casos registrados, 91 foram na Grande Ilha (São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa), 28 em Imperatriz e 169 nos demais municípios do estado. Desde o início da pandemia, já foram registrados 223.489 casos positivos e 5.275 mortes por Covid-19 no estado.

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