Cidades | Preocupação

Alta de transmissão e variante podem levar a falta de leitos este mês

Segundo epidemiologista, mesmo com a ampliação máxima, até dia 30 pelo menos 750 pessoas com Covid-19 devem precisar de leitos de enfermaria
Bárbara Lauria / O Estado02/03/2021
Alta de transmissão e variante podem levar a falta de leitos este mêsAumento de casos pode gerar falta de leitos públicos e privados até o fim deste mês (Divulgação)

São Luís – Com o alto nível de contágio da Covid-19 na última semana (de 22 a 28) e aumento exponencial de casos no estado, a previsão de epidemiologistas é de que o mês de março apresente falta de leitos em São Luís. De acordo com o epidemiologista Antônio Augusto Moura, mesmo com a expansão máxima dos leitos na capital, a previsão é de que nos próximos 30 dias, cerca de 250 pacientes estarão na lista de espera para leitos de UTI, enquanto 750 precisarão de leitos de enfermaria.

“Em uma projeção mais positiva, só que menos provável, até o fim do mês teremos 370 pacientes precisando de leitos de enfermaria, o que entra no limite de leitos. Teríamos ocupação de 100%, mas todos teriam leitos. Estamos nos aproximando perigosamente do que seria o máximo de expansão disponível no sistema”, ressaltou o epidemiologista. Atualmente, levando em consideração o boletim epidemiológico publicado no último domingo, 28, a taxa de ocupação nos leitos de UTI da Grande Ilha é de 83,78% enquanto a taxa dos leitos de enfermaria é de 49,19%. Em Imperatriz a situação é mais agravante, 64,20% dos leitos de enfermaria, e 81,25% dos leitos de UTI, estão ocupados.

Ampliação
De acordo com a Secretária de Estado da Saúde (SES), na última semana, foram implantadas unidades exclusivas para assistência aos pacientes, como as UPAs do Parque Vitória, Araçagi, Vinhais, Cidade Operária e Paço do Lumiar, assim como os ambulatórios no Hospital de Cuidados Intensivos, no Hospital Dr. Genésio Rêgo e o serviço pediátrico no anexo do Hospital Dr. Carlos Macieira. Também foi ampliado o serviço de testagem para identificação, isolamento e tratamento imediato dos casos positivos. Ainda na última semana, 60 leitos foram implantados e um Hospital de Campanha na cidade de Bacabal, com serviço ambulatorial, leitos de enfermaria e de observação.

Para essa semana (1º a 7), o Governo do Maranhão previu a destinação mais leitos de UTI nos Hospitais Dr. Carlos Macieira, Macrorregional de Imperatriz, Caxias e Coroatá, além de UTI no Hospital Geral de Codó, em parceria com a prefeitura. Além destes, o Hospital de Cuidados Intensivos continua com obra para ampliação de leitos de enfermaria e um Hospital de Campanha em Imperatriz está sendo construído, em parceria com a Suzano, para compor a rede de assistência aos pacientes da Covid-19, que atualmente contam com a UPA Bernardo Sayão e Hospitais Macrorregionais e Regional Materno Infantil – as três unidades da rede de gestão estadual.

A SES também mantém serviço de UTI aérea para transferência de pacientes de unidades da rede estadual no interior para São Luís, cidade com maior concentração de hospitais da rede pública estadual e com capacidade para ampliação de leitos de enfermaria e UTI. “Nunca chegamos ao colapso do nosso sistema de saúde. Diferente de outros estados, nós fazemos as transferências de pacientes dentro do próprio estado. Contudo, precisamos tomas cuidados para evitar que os leitos lotem”, ressaltou o governador Flávio Dino, durante coletiva concedida na última sexta-feira, 26.

Hospitais privados
O epidemiologista também ressaltou a situação dos hospitais privados da Grande Ilha, em que já é possível ver a ocupação total dos leitos. “A situação é mais grave na rede privada. Já há alguns dias estamos vendo os leitos com 100% da ocupação dos leitos de UTI e agora os de enfermaria”, destacou.

De acordo com os boletins divulgados no último domingo, 28, os dois maiores hospitais privados de São Luís, além de apresentar ocupação total dos leitos, também estão com pacientes em espera para internação.

Aumento do contágio
Desde a última semana, a taxa de contaminação da Covid-19 aumentou no Maranhão, cada 10 pessoas estão contaminando 12. Antônio Augusto Moura explica que esse aumento de contaminação ocorreu, principalmente, pelo descumprimento de protocolos sanitários. “Tivemos uma queda drástica no uso de máscaras. O uso era 65% no início da doença e caiu para 42% em outubro de 2020”.

De acordo com a Secretária da Saúde, o grupo mais contaminado pelo coronavírus são pessoas de 20 a 39 anos. Contudo, na rede hospitalar, atualmente, os pacientes internados com Covid-19 apresentam idade entre 40 e 69 anos.

Outro motivo para o aumento exponencial dos casos ativos de Covid-19, segundo Antônio Augusto, seria a nova cepa do vírus (P1) no Maranhão. A presença da variante foi confirmada na última sexta-feira, 26, pela Secretária de Estado da Saúde. “A variante P1 tem carga viral (quantidade de vírus transmitidos) 10 vezes maior que a original, o que explica esse aumento explosivo no estado. Teremos muitos casos graves ao mesmo tempo”, ressaltou.

SAIBA MAIS

Medidas Restritivas
Com o cenário preocupante no estado, na última sexta-feira, o governador Flávio Dino informou durante a coletiva de imprensa que medidas restritivas serão tomadas ao longo dessa semana para conter o vírus, contudo, um lockdown ainda não seria necessário. O governador se reuniu nesta segunda-feira, 1º, com prefeitos para discutir a possibilidade de um bloqueio total. De acordo com especialistas, “já passou da hora de medidas mais restritivas para conter o vírus”.

FALA, POVO!

Você é contra ou a favor do lockdown?

“Neste momento eu sou a favor, porque já estamos indo para um colapso na saúde. O Maranhão teve aumento de casos, mas, por outro lado, tem a questão do salário. Sem auxílio, sei que muita gente não vai receber durante o bloqueio”

Vitória Oliveira, professora auxiliar

“Eu sou a favor, pois as pessoas ultimamente não estão cumprindo os protocolos, estão relaxando e agindo como se a situação estivesse no controle, mas na realidade não está. Não sabemos quem tem Covid ou não”

Josival Pereira, técnico em Laboratório

“Eu sou a favor do lockdown, para não ter mais aglomerações”

Alexandre Quaresma, vendedor

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