Cidades | Dia das Crianças

Ser adulto e não perder a essência infantil; ser criança, com inspiração e muita maturidade

Independentemente da idade e do grau de maturidade demonstrado, quem é jovem ou quem ainda se sente criança não quer perder elementos do público infantil, em especial, a ingenuidade
Thiago Bastos / O Estado10/10/2020
Renato, o pequeno artista que escreve cordel e toca flauta

São Luís - Em algumas religiões, a figura da criança é um elemento sagrado e cujas características são até divinizadas. No cotidiano, compor o público infantil é, antes de mais nada, ser aquele inocente, que acredita piamente na beleza da vida e na existência de um mundo repleto de objetos e atividades divertidas para se fazer.

Estar em público até certa faixa etária e ser considerado uma criança é fazer do simples uma brincadeira inesquecível. É colocar uma risada gostosa no rosto do adulto ao lado. É cativar com um mero olhar quem está por perto.

Ser criança deveria ser algo eternizado. Quem imaginaria um mundo repleto de crianças tomando conta da administração pública ou mesmo das tarefas dos adultos? Se você pensou em caos completo, talvez fosse surpreendido por um mundo em contexto mais simples, sem desamores, desilusões, sem corrupções e, tampouco, maldades. Um universo melhor.

A fase infantil é tão positiva que a vivenciamos como a fase inaugural de vida. Até mesmo no fascinante enredo da peça audiovisual “O Curioso Caso de Benjamin Button”, em que o personagem principal, interpretado por Brad Pitt, que inicia a vida com aspecto e aparência de um octagenário e morre com características de bebê, não há perda da ternura dos que tem pouca idade. O “velho” Button era na verdade uma criança em seu ser e no agir.

A partir da lógica da inocência e imaturidade, O Estado contará casos de crianças que querem permanecer com os sonhos e a ingenuidade dos mais precoces e que, no entanto, tal qual na direção inversa do filme famoso, desenvolveram habilidades como se fossem adultos sem perderem os elementos que marcam toda e qualquer criança, em especial, a beleza da autenticidade.

O caminho contrário também será enfatizado, ou seja, adultos - pessoas com períodos de infância marcantes - e que “brincam” em uma cápsula do tempo voltando a ser o que um dia já foram (ou que talvez não tenham deixado de ser). Circunstâncias específicas em que indivíduos mais velhos se repaginam e viram novamente mais jovens.

Crianças que escrevem livros com um grau de intelectualidade acima do comum, aperfeiçoando habilidades desenvolvidas e demonstradas, que chamam a atenção de adultos. O objetivo desta reportagem não é ressaltar as competências das crianças e pré-adolescentes, e sim, repassar uma mensagem: “Quem é criança uma vez, ainda que vire adulto ou ganhe maturidade, não perde a essência”.

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Se a humanidade aprendesse com as crianças, certamente muitos dos problemas atuais seriam dizimados. A bondade e outros sentimentos são marcas de quem carrega poucos anos de maturidade nas costas, e um grande legado para repassar a quem é mais velho.

O jovem tocador de flauta que virou personagem do próprio cordel
Aos 10 anos, Renato Lucas começou a escrever os seus primeiros versos e deixou todos da família espantados. Afinal de contas, como uma pessoa, de forma tão precoce, poderia ter tal talento? Suas virtudes, não somente foram estimuladas, como ainda ampliadas ao ponto de os versos - cujos personagens são inspirados em si próprio e em membros da família - fossem parar em uma peça literária.

Da iniciativa, surgiu o primeiro trabalho. “Joãozinho, o menino que aprendeu a amar os animais” é uma peça que ilustra um personagem que, do apego com os bichos, ensinou como dar amor ao mundo. Quem conhece o próprio Renato Lucas, sabe que a autodescrição se mistura com a arte adquirida de dispor das palavras em papel, com desenvoltura e talento.

Após o primeiro trabalho, a outra produção literária foi “Beto, o analfabeto”, que se resume a um protagonista que - da dificuldade e limitações de aprendizado - reproduz um enredo de superação. “Quando comecei a escrever, não parei mais. E não pretendo parar tão cedo”, disse Renato, sob os olhares da mãe orgulhosa.

Goreth Pereira - mãe de Renato - lutou durante toda sua vida para criar os filhos. Ela - escritora de cordéis e rodeada pela boa literatura - defende o talento precoce do filho. No entanto, sempre faz questão de frisar que, apesar da maturidade, Renato nunca perderá a doçura como ser e, principalmente, como filho. “Eu tenho no meu filho uma referência para mim. O talento que ele demonstra, mesmo tão jovem, é uma esperança de que podemos fazer deste país algo melhor”, afirmou.

Renato, em breve, iniciará sua jornada no Ensino Médio e rumará às cadeiras acadêmicas. A carreira auxiliar ainda não foi escolhida, mas a preferência é por atividades ligadas à literatura e outras artes. “Em breve, vou escolher”, disse.

Além do dom literário, Renato brinda seus conhecidos com a habilidade de instrumentista. Além de tantan, também toca bateria, triângulo e flauta. Sob a inspiração dos poetas da música, como Luiz Gonzaga, o som do instrumento de sopro é a base para a execução de “Asa Branca”, considerado um hino para o povo do Nordeste, origem de Renato.

Sobre o futuro, Renato é categórico. Apesar da “experiência”, ele não quer perder a essência da criancice tão cedo. “Quero brincar com meus amigos, me divertir. É o que toda pessoa da minha idade faz”, finalizou.

Gabirela norteou sua obra a partir do seu gosto por bruxaria

A menina dos sonhos de fada e dos mistérios da bruxaria
Quando completou 8 anos, Gabriela Meirelles Aguiar era uma criança aparentemente como outra qualquer. No entanto, um fato chamou a atenção da família, que era o gosto pelo inspirar com as palavras. Os primeiros textos, escritos ainda como atividades escolares, eram a representação e o nascimento de uma inspirada escritora.

Foi nesta idade que ela começou a expor a sua capacidade de transformar a fantasia em contos, cujos personagens - com suas características únicas - se relacionavam em um amarrar de fatos que somente os bons escritores conseguem consolidar.

Seu gosto pela bruxaria foi o norteador de sua obra “As Crônicas dos Elfos”, cuja conclusão e edição (e consequente lançamento) aconteceu quando a escritora completou apenas o seu décimo ano de vida. Atualmente, com 13 anos, Gabriela já está em plena produção de outras obras.

Sobre o dom, “Gabi” revelou que o seu objetivo é claro: mudar o mundo. “Todo escritor quer servir de inspiração para alguém especial. A minha obra serve para inspirar crianças e adultos na escrita e em outras atividades”, afirmou.

Com carinha de menina e “cabeça” de adulta, a escritora - cujas crônicas foram autografadas especialmente para O Estado - também não se descolou de sua fase infantil. As brincadeiras e o jeito doce de ver os fatos cotidianos comprovam que a “mulher” no comportamento literário ainda é uma criança. Em especial para a mãe, Brenda Aguiar. “A minha filha é um orgulho para todos nós. Ela não perdeu seu lado criança, mesmo diante de todo este talento de adulto”, afirmou Brenda.

MAIS

Tanto Renato quanto “Gabi” oferecem suas obras na Associação Maranhense de Escritores Independentes (AMEI), cuja loja está aberta diariamente no São Luís Shopping, no Jaracati.


Origem do Dia da Criança

O Dia das Crianças foi criado no Brasil antes de ser comemorado em outras partes do mundo. A iniciativa foi do deputado federal Galdino do Valle Filho, em 1920, e oficializada em 5 de novembro de 1924 pelo então presidente da República, Arthur Bernardes.

Somente entre 1955 e 1960, quando a fábrica de brinquedos Estrela, em parceria com a Johnson & Johnson, lançou a Semana do Bebê Robusto (intenção comercial de aumentar a venda de brinquedos nessa semana) o dia passou a ser comemorado no dia 12 de outubro (aqui no Brasil).

No dia 20 de novembro de 1959, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) oficializou a Declaração Universal dos Direitos da Criança e, a partir de então, essa data (20 de novembro) passou a ser comemorada na maioria dos países do mundo.

De acordo com a história e seu significado, alguns países têm outras datas para essa celebração dos direitos infantis. No Japão, por exemplo, os meninos comemoram no dia 5 de maio (como na China) e as meninas no dia 3 de março.

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