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Assaltos: aplicativos de transporte investem em tecnologia de proteção

Motoristas de aplicativos e taxistas são alvos constantes de assaltos; veículos são roubados e utilizados em ações criminosas na Grande Ilha
Ismael Araújo27/08/2020 às 00h01
Assaltos: aplicativos de transporte investem em tecnologia de proteçãoEmpresas estão investindo em inteligência artificial para garantir segurança para motoristas e passageiros (Paulo Soares / O Estado)

São Luís - Motorista de aplicativo foi rendido por criminosos, feito refém e o seu veículo utilizado em assaltos. Situações desse tipo estão se tornando uma realidade diária na Grande Ilha. No momento, o comando de empresas de transporte por aplicativos estão atuando com inteligência artificial, investindo em sistemas preventivos e ferramentas de proteção para proporcionar segurança durante a viagem, ao motorista e aos passageiros.

A assessoria de comunicação do aplicativo de transporte 99 informou ontem, por meio de nota, que a segurança é uma prioridade para a empresa. A proteção começa a ser feita a partir da chamada feita pelo passageiro. A empresa, por meio do uso da inteligência artificial, consegue verificar as chamadas, identificando padrões de comportamentos associados a incidentes como horário, modo de pagamento e o histórico do usuário. Essa soma de fatores resulta em um bloqueio automático ou a validação adicional de dados pessoais.

A companhia também permite que o condutor escolha a forma de pagamento, seja em dinheiro ou pelo modo digital, como ainda mostra informações sobre o destino final, a nota do passageiro e se ele é frequente. Além de exigir que todos os passageiros incluam CPF ou cartão de crédito.

A direção da empresa recentemente lançou o serviço de câmeras de segurança e a viagem passou a ser filmada, ficando ainda disponíveis o compartilhamento de rotas, ligação para a polícia e gravação de áudio. Depois das viagens, um recurso permite bloquear o passageiro, caso o condutor não queira se conectar com ele novamente em viagens futuras, e ainda há uma central telefônica 24 horas para emergências, em caso de algum tipo de ocorrência.

O Estado entrou em contato com assessoria de comunicação de aplicativo de transporte Uber para saber informações sobre as medidas que estão adotando para evitar que os seus motoristas cadastrados não possam ser vítimas de assaltos na Ilha, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Empreitadas criminosas
Um motorista de aplicativo, de nome não revelado, foi vítima de assalto durante a noite do último dia 17. A polícia informou que os bandidos tiveram acesso ao veículo como passageiros, no bairro Coroadinho, e anunciaram o assalto quando chegaram na Ilhinha.

Guarnições da Polícia Militar ficaram cientes do fato e realizaram rondas pela cidade. Dois suspeitos foram presos nas proximidades do Terminal da Integração da Praia Grande e apresentados no Plantão de Polícia Civil das Cajazeiras, no Centro.

A polícia informou que durante a madrugada do dia 12 de junho, deste ano, quatro adolescentes teriam assaltado e sequestrado um motorista de aplicativo, no bairro Janaína. A vítima foi colocada no porta-malas do carro. Os menores ainda são suspeitos de realizarem outras ações criminosas nessa localidade.

Os militares realizaram incursões e conseguiram apreender na Cidade Olímpica os adolescentes e apreenderam arma de fogo, munições, celulares e dinheiro. A vítima foi liberada e os menores apresentados no Plantão de Polícia Civil da Cidade Operária, onde foram tomadas as devidas providências.

Mortes
Na capital, o motorista de aplicativo Rafael Washington Correa Ribeiro, de 32 anos, foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte), no dia 9 de junho deste ano. Segundo a polícia, o corpo foi encontrado dentro de um veículo, no bairro da Ribeira, e os criminosos levaram dinheiro e objetos de valor da vítima. O caso é investigado pela equipe da Superintendência de Homicídio e Proteção a Pessoas (SHPP).

Ainda de acordo com a polícia, na noite do dia 29 de março, um trio criminoso abordou um motorista de aplicativo, no Maiobão, em Paço do Lumiar. A vítima foi colocada no porta-malas e o seu veículo foi utilizado em ações criminosas. Os bandidos, ao passarem pela Maiobinha, acabaram atolando o carro na via e algumas pessoas observaram a movimentação suspeita.

Os assaltantes fugiram a pé em direção à Cidade Operária, mas foram interceptados por testemunhas e agredidos fisicamente. Um deles faleceu ainda no local e o corpo foi removido para o Instituto Médico Legal (IML). A Polícia Civil investiga o caso.

Ações de combate
A polícia tem realizado incursões na Grande Ilha com o objetivo de prender quadrilheiros especializados de assaltar e sequestrar motoristas de aplicativos e taxistas. Guarnições da Polícia Militar ainda no último dia 25 conseguiram desarticular um bando especializado nessa prática.

De acordo com o delegado Mesquita, de São José de Ribamar, na noite do dia 24 deste mês, uma mulher solicitou uma corrida de táxi na área do central da cidade balneária e, logo após, entraram mais quatro bandidos no táxi.

O delegado também informou que o taxista foi levado para um cativeiro, em São José de Ribamar, e o seu veículo utilizado em assaltos. A polícia ficou ciente do caso e no decorrer do dia 25 conseguiu prender os acusados. Em poder deles, foram apreendidos produtos de roubo e arma de fogo.

O delegado Carlos Alessandro, superintendente da Polícia Civil da Capital, declarou que no dia 5 deste mês foi preso um homem, em cumprimento de ordem judicial, suspeito de cometer esse tipo de crime. Uma das ações cometidas pelo detido ocorreu no dia 13 de março deste ano, no bairro Renascença.

SAIBA MAIS

Outras ferramentas

Um aplicativo de transporte lançou o “Rastreador de Comentários” para combater o assédio sexual durante a viagem. Essa ferramenta vasculha avaliações de passageiras, passageiros e motoristas, identificando denúncias automaticamente. O sistema consegue ler os comentários deixados no app após o término das corridas e detectar uma série de palavras e contextos que possam estar relacionados a assédios. Essa iniciativa, que também contemplou a criação de um protocolo de atendimento humanizado, foi desenvolvida em parceria com a consultoria feminista Think Eva, um braço da organização Think, Olga que desenvolve estratégias para promover igualdade de gênero. A empresa também lançou neste ano outras funcionalidades contra a violência sexual. Uma delas oferece a oportunidade das mulheres, que são motoristas, escolherem atender apenas a passageiras com perfil do mesmo gênero. Outro é o Monitoramento de Corridas, que funciona por meio de algoritmo que detecta automaticamente paradas longas ou trajetos com tempo acima do previsto.

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