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Escritor Sálvio Dino morre vítima da Covid-19 em São Luís

Pai do governador Flávio Dino morreu no início da manhã desta segunda-feira (24); ele tinha 88 anos e estava em tratamento no Hospital Carlos Macieira, na capital
24/08/2020 às 08h04
Escritor Sálvio Dino morre vítima da Covid-19 em São LuísO escritor Sálvio Dino faleceu na manhã desta segunda-feira, vítima de Covid-19

SÃO LUÍS - O escritor Sálvio Dino, de 88 anos, pai do governador do estado do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), morreu no início da manhã desta segunda-feira (24) vítima do novo coronavírus (Covid-19). A notícia foi confirmada pelo governado do Maranhão, através de suas redes sociais.

Ele estava em tratamento na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Carlos Macieira, em São Luís.

Em postagem, o governador Flávio Dino comunicou o falecimento do pai e relembrou que na última quinta-feira (20), os dois recitaram juntos um poema do escritor maranhense Gonçalves Dias."Meu pai teve uma longa vida, com muitas lutas. Seu mandato de deputado estadual foi cassado e ele foi preso arbitrariamente pela ditadura militar em 1964, “acusado” de ser comunista. Nos últimos dias deu a derradeira lição: profundo amor pela vida. Lutou com humildade e coragem", disse o governador em uma das postagens.

Biografia

Sálvio Dino Jesus de Castro e Costa nasceu em Grajaú (MA), a 5 de junho de 1932. Tem três filhos do seu casamento com Rita Maria - Nicolao Dino, Flávio Dino e Sálvio Dino Júnior. É advogado e político tendo sido deputado estadual e prefeito da cidade de João Lisboa (MA).

Fez o curso secundário no Colégio de São Luiz, da capital maranhense e bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Luís, onde participou de movimentos estudantis e literários.

Ingressou muito jovem no jornalismo, como revisor e repórter dos Diários Associados e assinou, por muitos anos, a coluna Hoje é Dia De…, publicada semanalmente no jornal O Estado. Advogado, atuou em numerosos júris populares no interior e na capital do Estado e foi o autor do projeto de criação, no interior do Estado, da primeira Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção do Maranhão, núcleo instalado em Imperatriz, e do qual foi conselheiro.

Líder estudantil, foi atuante membro da União Maranhense dos Estudantes Secundários (UMES); pertenceu ao Parlamento Escola da Faculdade de Direito e foi eleito orador oficial do Centro Acadêmico Clodomir Cardoso, da referida instituição de ensino superior.

Vocacionado para as atividades políticas, elegeu-se, em 1954, vereador de São Luís e, em 1962, conquistou seu primeiro mandato de deputado estadual, havendo sido cassado em 1964, sob a acusação de atividades subversivas. De volta à Assembléia Legislativa do Estado, foi distinguido, em 1977, pelo Centro Social Estudantil Maranhense, com o título de Melhor Deputado Estadual desse ano. Foi prefeito municipal de João Lisboa (MA) em 1989 e 1997.

Presidente, por dois mandatos, da Associação dos Municípios da Região Tocantina (AMRT) e da Associação dos Municípios do Sul do Maranhão (AMSUL). Exerceu diversos cargos em comissão no Governo do Estado do Maranhão.

Membro da Academia Maranhense de Letras (AML). Ocupante da Cadeira 32, foi eleito para a Casa de Antônio Lobo no dia 16 de julho de 1998 e empossado em 16 de julho de 1999 tendo sido recepcionado pelo confrade Benedito Buzar. É também fundador da Academia Imperatrizense de Letras, instituição da qual foi vice-presidente nos anos de 1991 e 1992 e membro da Academia Grajauense de Letras.

No campo da literatura, Sálvio Dino é autor de livros como “Nas barrancas do Tocantins” (contos, 1981); “Semeando manhãs” (poesia, 1985); “Luzia, quase uma lenda de amor” (poesia, 1990); “Quem passar por João Lisboa” (estudos biográficos, 1989); “Clarindo Santiago: o poeta maranhense desaparecido no rio Tocantins” (estudos biográficos, 1997).

Escreveu ainda “Verde sertões e vidas” (crônica, 1999); “Raízes históricas de Grajaú” (história, 1974); “Onde é Pará, onde é Maranhão?” (história, 1990); “O perfil histórico do rio Tocantins” (história, 1992); “A Faculdade de Direito do Maranhão (1918-1941)” (histórica, 1996); “Leões: um palácio de histórias, lenda, mitos & chefões” (história, 1997), “A coluna revolucionária Prestes a exilar-se” (história, 2016).

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