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Vidas talhadas pela cana em documentário

Documentário "Modo de Produção", da diretora pernambucana Dea Ferraz, será exibido hoje, às 16h10, no Cine Lume; filme trata das relações trabalhistas e previdenciárias
13/02/2020
Vidas talhadas pela cana em documentário Cenas do documentário "Modos de Produção"

São Luís - Depois de ser exibido na Mostra de Cinema de Tiradentes, o documentário “Modo de Produção”, dirigido pela pernambucana Dea Ferraz, entra em cartaz hoje, às 16h10, no Cine Lume (Renascença II). O filme, que sublinha os elos entre Capital, Estado e Justiça, faz do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Ipojuca, Canela e Nossa Senhora do Ó, a 60 km do Recife, seu personagem central.

O Sindicato de Trabalhadores Rurais de Ipojuca, Canela e Nossa Senhora do Ó é um lugar por onde passa, a cada dia, uma massa de trabalhadores rurais, de vidas talhadas pela cana. Um cenário de aposentadorias, demissões, vínculos laborais e um suposto desenvolvimento econômico-social que se avizinha como uma miragem distante ou, quem sabe, fantasma: o Porto de Suape.

O documentário foi rodado em 2013, montado em 2016 e exibido pela primeira vez em janeiro de 2017, na 20ª Mostra Tiradentes. Passou ainda em festivais importantes como 6º Olhar de Cinema, na mostra “Esses corpos indóceis”, do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ForumDoc.BH, no 10º Janela Internacional de Cinema do Recife, entre outros. Todos os dias, trabalhadores e trabalhadoras, de existências marcadas pela indústria canavieira, vão ao sindicato para tratar com os advogados sobre direitos, deveres, perspectivas de aposentadorias e demissões. E, assim, parecem cada vez mais enredados nas complexas relações entre Capital, Estado e Justiça.

“No sindicato, a sensação física dessa massa de trabalhadoras e trabalhadores era forte. Todas e todos pareciam estar de passagem. Seja pelo sindicato, seja pela indústria da cana, seja por Suape, numa migração que denuncia claramente a vulnerabilidade do emprego e a precaridade do trabalho. No atendimento com os advogados convergiam todas as problemáticas relações que existem entre Justiça, Estado e trabalhadores. Era quase como se de um ponto de vista mais micro pudesse se desprender toda a complexidade de um tema macro, universal. Porque o Capitalismo é global”, diz Dea Ferraz.

Dea Ferraz é diretora e roteirista, formada em Jornalismo, com especialização em Documentários. “Alumia” (2009), seu primeiro média-metragem, percorreu a América Latina e sagrou-se vencedor em festivais como “Contra el Silencio todas las Voces” (México) e 5o DOCSDF (México). Em 2013, a diretora recebeu o convite para dirigir “Sete corações”, selecionado no Janela Internacional de Cinema, MIMO e In-Edit. Três anos depois, lançou “Câmara de Espelhos”, que estreou no 50o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e participou do Panorama Coisa de Cinema (BA) e ForumDoc (BH), entre outros. Modo de produção é seu terceiro longa-metragem. Em 2020, Dea lançará em canal de TV Mateus, premiados na Mostra de Cinema Nacional do Sesc, enquanto finaliza “Agora”, seu quinto longa.

“Modo de Produção” é uma coprodução das empresas pernambucanas Alumia Conteúdo, Ateliê Produções e Parêa Filmes, com produção associada da Janela Gestão de Projetos, financiada com recursos do Concurso Rucker Vieira, da Fundação Joaquim Nabuco, do Funcultura-PE e do Fundo Setorial do Audiovisual/Ancine.

Serviço

O quê

Exibição do documentário Modo de Produção

Quando

Hoje, às 16h10

Onde

Cine Lume (Renascença II)

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