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Volume do Batatã chega a nível mais crítico, e ele pode ficar inutilizado

Em agosto do ano passado, quando a Caema não usou o reservatório para abastecimento da cidade, capacidade de armazenamento era a mesma medida atualmente; dependência é maior pela demora na entrega da adutora do Italuís
Thiago Bastos / O Estado01/11/2017
Batatã está quase seco

O volume do reservatório do Batatã – situado no Parque Estadual do Bacanga –, em São Luís, chegou ao nível mais crítico do ano. De acordo com levantamento da Companhia de Saneamento Ambiental (Caema), a capacidade atual de água da estrutura é de apenas 10%. Com isso, o Batatã poderá se tornar definitivamente sem utilidade até o fim deste ano.

Em agosto do ano passado, quando a Caema foi obrigada a poupar o Batatã do abastecimento, a capacidade de armazenamento do reservatório também era de 10%, a mesma atual. À época, a direção do órgão estadual informou que compensaria a quase ausência do Batatã com a perfuração de 26 poços em pontos estratégicos e com a conclusão da nova adutora do Sistema Italuís. A Caema informou, na ocasião, que a adutora estaria em operação em outubro daquele ano, o que não ocorreu.

Com a atual capacidade do Batatã, o reservatório - que se estivesse em volume máximo funcionaria até 12 horas por dia - pode operar por pouco mais de uma hora. Por essa razão, pelo menos 25 bairros da capital maranhense situados, em especial, na região central da cidade, permanecem desassistidos, e os moradores são obrigados a conviver com a rotina de abastecimento alternado, ou seja, “dia sim, dia não”, adotado pela Caema.

Em 2017, o nível do Batatã caiu de acordo com a elevação da média das temperaturas. Em maio, por exemplo, a capacidade do reservatório era de 17%. No dia 23 de agosto deste ano, por meio de nota encaminhada a O Estado, a direção da Caema informou que o Batatã operava, até aquele momento, com volume de apenas 16%.

Caso haja a inutilização do reservatório até dezembro, esta será a segunda vez que o fato ocorrerá em pouco mais de um ano. Em julho de 2016, o Batatã não operou, devido ao baixo volume e à situação, considerada crítica. O reservatório permaneceu inativo por quase nove meses e, em abril deste ano, por causa da elevação dos níveis pluviométricos, a população recebeu novamente água em suas residências oriundas do Batatã.

Situação poderia ser melhor
A dependência da população ao Batatã é ainda maior devido à demora na entrega dos serviços da adutora do Sistema Italuís, cujo prazo de conclusão foi adiado por seis vezes de 2015 para cá. Caso estivesse pronta, além de reduzir a necessidade de bombeamento de água vinda do Batatã, a adutora também – de acordo com o Governo do Estado – elevaria em 30% a capacidade atual de abastecimento até as casas.

O baixo volume de água do Batatã, além de prejudicar o abastecimento de água à população, também contribui para o acúmulo de animais transmissores de doenças, como o caramujo da esquistossomose. Devido aos peixes mortos – também em virtude do baixo volume –, os urubus são atraídos pelo cheiro da decomposição e se concentram na área sem volume do reservatório.

Morte de peixes atrai urubus

Em nota, a Caema informou que, devido ao baixo volume, o órgão desenvolve ações por meio do Programa Água para Todos. Além disso, o órgão também realiza “ajustes técnicos” e viabiliza “contribuições advindas da bateria de poços localizados na área do Parque Estadual do Bacanga”.

SAIBA MAIS

O Reservatório do Batatã foi construído pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (Dnos) em um esforço conjunto de pesquisa de militares, engenheiros americanos e técnicos locais. Ele faz parte do Sistema Sacavém e, quando foi inaugurado, tinha 485 metros de comprimento e profundidade máxima de 17 metros e suportava uma proporção de 4,6 milhões de metros cúbicos de água.

NOTA DA CAEMA SOBRE A SITUAÇÃO DO BATATÃ

A Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) informa que a capacidade total do Reservatório do Batatã é de 4,6 milhões de metros cúbicos e, atualmente, opera com 10% de sua capacidade total. Devido ao baixo volume, a Caema vem desenvolvendo, através do programa Água para Todos, ações para manter o abastecimento na área central de São Luís. Além de ajustes técnicos e contribuições advindas da bateria de poços localizados na área do Parque Estadual do Bacanga, as localidades mais precárias têm recebido a contribuição do Sistema Italuís para garantir o abastecimento nas casas.

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