Cidades | Faltam vagas

168 crianças estão fora da sala de aula na área Itaqui-Bacanga

Dado é do Conselho Tutelar da região, que protocolará hoje, dia 18, representação no Ministério Público do Estado denunciando a falta de vagas na rede pública municipal; a oferta em escolas não aumentou, na mesma proporção da área
18/03/2016
168 crianças estão fora da sala de aula na área Itaqui-BacangaCaio Henrique e Naira Bianca, de 6 e 7 anos, estão sem ir à escola por falta de vagas na área Itaqui-Bacanga (De Jesus / O Estado)

SÃO LUÍS - Caio Henrique, de apenas 6 anos, e Naira Bianca, de 7 anos, residem na Vila Em­bratel, em São Luís, e estão com o futuro incerto. Eles são duas das 168 crianças da comunidade Itaqui-Bacanga que es­tão fora da sala de aula, conforme levantamento feito pelo Conselho Tutelar da região. A entidade informou que protocolará hoje uma representação no Ministério Público do Maranhão (MP), denunciando a falta de vagas na rede municipal.

Segundo a direção do conselho, casos como os de Caio Henrique e Naira Bianca chegam diariamente à sede da instituição. “O problema é antigo e sem solução”, analisou o conselheiro tutelar João Costa. De acordo com ele, atualmente a área Itaqui-Bacanga tem uma população estimada em aproximadamente 250 mil pessoas. No entanto, a oferta de vagas em escolas não cresceu, na mesma proporção. “O que se vê é uma ausência de capacidade do poder público em estender a quantidade de escolas nessa região tão sofrida da cidade”, disse.

A dificuldade em adquirir uma vaga na rede pública é confirma­da por pais dos estudantes. “Caio [Henrique] estudava em outra escola. Por falta de vagas, acabou saindo. Como não tenho condições de custear uma mensalida­de e ainda pagar os materiais escolares, meus filhos estão, in­felizmente, sem escola”, disse o pai de Caio Henrique e Naira Bianca, Bismarck Souza Silva, morador da Vila Embratel.

Preocupação e tristeza
A mãe das crianças, Naildes Menezes Ribeiro, afirmou a O Estado que as crianças perguntam, a todo instante, sobre quando voltarão a estudar. “É muito triste para uma mãe ver seus filhos perguntando isso e sem poder dar nada em tro­ca”, afirmou. Sem solução por par­te da Prefeitura de São Luís, os pais recorrem à direção do Conselho Tutelar, na busca por uma vaga para os filhos em uma unidade de ensino. “Ou seja, o conselho, que serviria apenas para dar suporte a este tipo de demanda, acaba tendo de resolver todos os problemas do mundo”, afirmou a também conselheira da área Itaqui-Bacanga, Benesoete Câmara.

O conselho, que serviria apenas para dar suporte a este tipo de demanda, acaba tendo que resolver todos os problemas do mundo”Benesoete Câmara, conselheira da área Itaqui-Bacanga

Ainda não há um levantamen­to oficial do conselho sobre a quantidade oficial de escolas e creches no Itaqui-Bacanga. De acordo com os responsáveis, seria construída uma creche em um terreno situado no Conjunto EIT (entre as vilas Bacanga e Isabel). O Estado esteve no terreno apontado e constatou que os serviços estão aparentemente suspensos. No local, alguns invasores já lotearam a área.

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que a creche da Vila Bacanga já teve o seu processo de licitação concluído em nível local, após distrato realizado pelo Governo Federal com a empresa vencedora da licitação em nível nacional. Acerca da falta de vagas em escolas, a Secretaria ressaltou que as escolas são orientadas a realizar a matrícula de todos os estudantes. A Semed informou ainda que realiza o remanejamento para escolas próximas na eventualidade de haver excedentes.

Incertezas
A educação na capital maranhense enfrenta um cenário desfavorável. Desde segunda-feira, dia 14, os professores da rede pública do município aderiram a uma paralisação que suspendeu as atividades nas principais unidades de ensino. Ontem pela ma­nhã, docentes promoveram um ato público, em frente ao Palácio La Ravardière, sede da Prefeitura de São Luís.

NÚMEROS
250 mil
pessoas é a população estimada da área Itaqui-Bacanga
168 crianças estão sem estudar na área Itaqui-Bacanga

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