Perigo

“Surf” em ônibus: imprudência que pode causar até mortes

Um homem morreu no domingo, quando “pegava carona” pendurado na parte externa da porta traseira de um ônibus, no São Francisco; prática perigosa também é comum na área da Forquilha e no bairro São Cristóvão
19/01/2016

Falta de dinheiro, desinteresse em pagar a tarifa ou imprudência? O fato é que muitos jovens se arriscam “surfando” nos coletivos pelas avenidas de São Luís. A prática é comum e coloca em risco a segurança de quem a comete e dos passageiros. No fim de semana, um jovem que cometeu o ato de imprudência mor­reu, após se chocar contra um poste na Avenida Colares Moreira, no Renascença. Na capital, motoristas de ônibus afirmam que tomam medidas por conta própria para evitar acidentes.

No domingo, um jovem, identificado como Ivonaldo Rodrigues, de 23 anos, morreu após pegar uma “carona” pendurado na porta traseira de um ônibus e se chocar contra um poste. A violência da colisão foi tão grande que o rosto de Ivonaldo ficou desfigurado. O acidente chamou a atenção para os riscos da prática chamada popularmente de “surf de ônibus”, que é o hábito de muitos jovens pegarem “carona” pendurados pelo la­do de fora das portas dos coletivos.

De acordo com o motorista de ônibus Joelson Silva Diniz, em determinados pontos da cidade o “surf” é prática corriqueira. “Próximo à rodoviária, isso acontece muito. Outro local é o Retorno da Forquilha. Ali na área do São Cristóvão, próximo ao terminal, também é comum. Geralmente, quem faz isso são esses flanelinhas ou vendedores ambulantes, que fi­cam nos sinais das grandes avenidas”, afirmou.

Ainda segundo condutor, o percurso feito por esses “surfistas” não costuma ser muito grande, diferentemente do risco a que eles se submetem. “Uma vez, um desses caras subiu na porta do ônibus no Retorno do São Francisco e foi até a Beira-Mar. Ele atravessou toda a Ponte do São Francisco pendurado, se segurando apenas pela janela do ônibus, e desceu na primeira parada depois da ponte. Ele poderia até ter caído no mar”, contou Joelson Silva Diniz.

Perigo
Entre os passageiros, o medo é que quem pegue esse tipo de “carona”, na verdade, esteja querendo praticar algum crime. “Sempre que eu pego um ônibus na área do São Francisco, busco um lugar que não seja na janela ou então a fecho. Te­nho medo de algum deles tentar puxar minha bolsa. Também não sento próximo à porta para evitar que em uma parada do ônibus, com a porta aberta, eles entrem e façam um assalto”, disse Maria Gorete de Sousa.

Quando alguém tenta ‘surfar’ no ônibus que estou dirigindo, eu aciono as autoridades competentes para retirar o cara e eu poder seguir viagem”Jânio de Jesus, motorista de ônibus

A área do São Francisco, segun­do os condutores, é onde a prática é mais comum. “Não tem dúvidas de que é o São Francisco. Toda vez que eu estou dirigindo algum ônibus que faz linha por lá, algum rapaz surfa no ônibus. Eles são rápidos. A gen­te abre a porta para o desembarque de passageiros e assim que ela começa a fechar eles sobem. Eles apoiam os pés nos degraus. Alguns ficam com uma mão dentro do ônibus, entre as portas, e a outra na janela. Outros, com uma das mão em ca­da janela ou com as duas na mesma janela”, explicou o motorista Marco Antônio Pereira.

Medidas
Para tentar garantir a seguran­ça da viagem, os condutores to­mam medidas por conta própria para evitar que “surfem” nos coletivos. “A gente não recebe nenhu­ma orientação específica de como proceder nesses casos. Vai de cada motorista. Muitos seguem viagem com o cara pendurado. Eu peço para descer”, afirmou Fernando Silva.

Jânio de Jesus diz que pede para descer e, se for o caso, até interrompe a viagem. “Eu nunca trafeguei com um cara pendurado no ônibus que dirijo. A gente sempre pede para descer, mas muitos insistem. Eu não saio até o cara descer do ônibus. Se for preciso, chamo a polícia para obrigar o cara a sair”, disse.
Ivo dos Santos frisou que é co­mum os motoristas de ônibus abrirem a porta traseira para que o jo­vem que tentou “surfar” viaje pelo lado de dentro. “É mais seguro para todo mundo, e ninguém quer se arriscar se envolver em um acidente. Até porque o motorista é que leva a culpa depois. A gente abre a porta, o cara senta na escada da porta do fundo e desce mais em frente. Geralmente, eles vão só dois ou três paradas mais em frente”, disse.

A área que mais acontece o ‘surf’ de ônibus é no São Francisco, Renascença, e geralmente são aqueles caras que ficam nos sinais”Fernando Silva, motorista de ônibus


O Estado entrou com contato com a Prefeitura de São Luís para saber se a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) faz algum trabalho para coibir a prática, mas por telefone a assessoria de comunicação da Prefeitura informou que o assunto era de competência da polícia. A Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) do Governo do Estado, também não se pronunciou sobre o trabalho da polícia nesses casos. O Sindicato das Empresas de Transporte (SET) também foi procurado, mas também não deu declarações sobre o assunto.

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