Barbárie

Menor que sobreviveu a linchamento fará reconhecimento dos envolvidos

Responsáveis pelo espancamento poderão responder pelo crime de homicídio qualificado, com pena de até 30 anos de reclusão
15/07/2015 às 09h59
Jovem de 17 anos, deitado no chão, foi amarrado após tentativa de assalto a um bar (linchamento)

O adolescente de 17 anos que sofreu tentativa de linchamento na segunda-feira (6) fará nesta sexta-feira (17) o reconhecimento dos envolvidos no caso que resultou na morte de Cleidenilson Pereira da Silva, de 29 anos, após assalto frustrado a um bar no bairro Jardim São Cristóvão, em São Luís.

Em entrevista a O ESTADO, o delegado Guilherme Sousa Filho, que investiga o caso, afirmou que pelo menos três suspeitos estarão na Delegacia de Homicídios (DH) na sexta para o menor fazer a identificação. O horário da sessão de reconhecimento ainda não foi definida pela polícia.

Os três suspeitos de envolvimento no caso negaram, anteriormente, participação no espancamento do adolescente e de Cleidenilson. Um deles é filho do dono do bar que seria assaltado pela dupla. Ele foi acusado de participação após divulgação de vídeos em que ele supostamente aparece amarrando Cleidenilson a um poste e, sem seguida, socando o homem.

Investigação - O adolescente, que diz que só sobreviveu por ter se fingido de morto, foi levado pela polícia para a Delegacia do Adolescente do Infrator (DAI), no centro da cidade, logo após a tentativa de linchamento. Na ocasião, ele prestou depoimento e foi liberado para a família logo em seguida.

Com o decorrer as investigações policiais, os suspeitos de envolvimento poderão a vir se transformar em indiciadas e, no final, réus. "As investigações seguem sobre sigilo", disse o delegado Guilherme Sousa Filho. A intenção é que o caso seja solucionado ainda este mês. Responsáveis pelo espancamento poderão responder pelo crime de homicídio qualificado, com pena de até 30 anos de reclusão

Medo - Com medo, o adolescente afirma que só tem saído de casa para ir até a delegacia prestar depoimento. O menor diz que parou de estudar na 5ª série do Ensino Fundamental, após ser expulso da escola em que estudava no ano passado. A repreensão aconteceu após a sua participação em uma "guerra" no pátio, em que alunos atiravam frutas uns nos outros.

De acordo com a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), cinco casos de linchamentos foram registrados na Região Metropolitana de São Luís (São Luís, Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar) este ano. Os números foram obtidos com base no relatório mensal divulgado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) por meio do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops).

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