Enquete

73% das pessoas são a favor de "fazer justiça" com as próprias mãos

Três casos de linchamento aconteceram na semana passada em São Luís: um no Jardim São Cristóvão, um no Maiobão e outro na Forquilha
13/07/2015 às 15h11
Resultado da enquete feita por O ESTADO

Três casos de linchamento aconteceram na semana passada na Região Metropolitana de São Luís: um no Jardim São Cristóvão, um no Maiobão e outro na Estrada de Ribamar. O assunto repercutiu nacionalmente e, por isso, O ESTADO resolveu lançar a enquete: "Você é contra ou a favor da população 'fazer justiça' com as próprias mãos?". O questionamento ficou disponível para votação desde quarta-feira da semana passada e foi encerrado na tarde desta segunda-feira(13). O resultado foi de 73,25% favoráveis ao espancamento contra 26,75%.

Cleidenilson Pereira da Silva, de 29 anos, foi linchado no São Cristóvão em cena que chocou o país

Na segunda-feira (6), Cleidenilson Pereira da Silva, de 29 anos, conhecido como Xandão, morreu depois ser espancado pelos moradores, após uma tentativa frustrada de assalto. Ele teve as mãos, pés e o corpo amarrados por uma corda e presos em um poste de energia elétrica. Logo em seguida, ele teve as roupas arrancadas e foi agredido com chutes, socos, pedradas e até mesmo garrafadas.Durante o assalto, Xandão estava na companhia de um adolescente de 17 anos que também foi agredido pelos populares. Ele foi levado para o 11º Distrito Policial (11º DP) e depois para a Delegacia do Adolescente Infrator (DAÍ). Após ser ouvido, ele foi liberado.

Alisson Bruno da Costa foi espancado pela população no Maiobão e escapou por causa da chegada da polícia

Já na quarta-feira (8), Alisson Bruno da Costa, de 19 anos, conhecido como Xalau, abordou uma mulher identificada como Ednalva Ribeiro, de 30 anos, na Avenida 10 do Maiobão, e a forçou a parar com o intuito tomar-lhe a motocicleta. Ele tirou de forma brusca a condutora de cima do veículo e tentou levar a moto, no entanto, não conseguiu ligá-la. Ele então foi perseguido até próximo à praça do Viva, quando foi alcançado e agredido pelos moradores com socos e chutes. A polícia foi acionada e chegou ao local para interromper a sessão de espancamento.

Darlan Oliveira Santos, de 20 anos, também foi espancado ao tentar roubar um celular na Forquilha e foi salvo pela chegada da imprensa

No dia seguinte, quinta-feira (9), Darlan Oliveira dos Santos, de 20 anos, foi agredido na Forquilha, após tentar assaltar um coletivo.Ele foi impedido pelas pessoas, que logo em seguida iniciaram a sessão de espancamento. As agressões só cessaram após a chegada de uma equipe de reportagem da TV Mirante que começou a registrar o fato, inibindo os agressores.

Especialistas falam sobre o problema - Em reportagem publicada no programa do Fantástico, na TV Globo, a coordenadora do Observatório de Segurança e Sistema de Justiça da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Artenira da Silva e Silva, afirmou que fatores como o baixo desenvolvimento humano é um dos pontos que agrava a tensão das pessoas em situações de conflito

“No momento em que você tem baixos indicadores de desenvolvimento humano, você também favorece com que essas pessoas não percebam a melhor forma, ou alternativas diferenciadas para resolver conflitos, ou para resolver situações de medo ou de violência. Então o que vai acontecer, elas vão tender a resolver à sua maneira”, explicou.

Ariadne Natal, que é do Núcleo de Estudos de Violência da Universidade de São Paulo (USP), disse na reportagem que a ausência da presença do Estado também contribui para estes tipos de atitudes da população. “Uma percepção da ausência do estado ou da incapacidade do estado de dar respostas para questões de segurança e justiça. Então, você gera uma percepção de impunidade e isso estimula ações dessa natureza”.

Os especialistas afirmaram também que a falta de policiais nas ruas acaba contribuindo para a sensação de “terra sem lei”. São Luís tem uma média de um policial para cada 892 habitantes, aproximadamente metade da média nacional: 472 habitantes por policial. “O governo maranhense entende que não é só aumentar o efetivo, mas estar fazendo isso no sentido de corrigir a falha histórica do menor contingente do país. Todos os casos de homicídios, seja qual for a modalidade, passarão por uma avaliação para chegarmos a autoria e consequente punição dos envolvidos”, garantiu o secretário de segurança pública do Maranhão, Jefferson Portela.

Números - De acordo com a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) cinco casos de linchamentos foram registrados na Região Metropolitana de São Luís este ano. Os números foram obtidos com base no relatório mensal divulgado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) por meio do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops). No documento, está descrito que as pessoas foram vítimas não de linchamentos, mas sim de homicídios dolosos (quando há a intenção de matar).

De acordo com Wagner Cabral, conselheiro da SMDH e professor do curso de História da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) os dados são alarmantes. Segundo ele, das 30 pessoas que foram vítimas de linchamentos, aproximadamente 60% foram agredidas e mortas durante tentativas frustradas de assaltos. O restante foi classificado como estupradores, assassinos ou pessoas que cometeram algum outro tipo de delito.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte